O guia completo da sinusite: causas, sintomas e tratamentos
- Dra Ana Lívia

- 26 de mai. de 2023
- 7 min de leitura
Descubra as causas, sintomas e tratamentos da sinusite, uma doença inflamatória comum que afeta milhões de pessoas. Saiba como aliviar os sintomas e quando procurar ajuda médica.

Você já teve ou conhece alguém que sofre de sinusite? Essa doença inflamatória do nariz e dos seios da face é uma condição que afeta aproximadamente 15% da população.
E ela é conhecida por causar grande desconforto e incômodo. Entre 2016 e 2020, mais de 12 mil internações foram registradas no SUS devido a essa condição.
Neste guia completo, vamos explorar as causas, sintomas e tratamentos da sinusite. Descubra tudo o que você precisa saber sobre a sinusite e como cuidar adequadamente da sua saúde respiratória.
Se você deseja entender melhor essa condição e descobrir maneiras de aliviar os sintomas, então não deixe de ler este artigo!
Principais causas: como surge a sinusite?
As rinossinusite são inflamações agudas ou crônicas do nariz e seios da face, regiões onde a sinusite dói. Esse problema pode ter como causas:
Contato com microorganismos agressores: como vírus, bactérias, fungos;
Predisposição genética;
Associação com outras doenças respiratórias: como asma e rinite;
Condições ambientais: como exposição crônica ao tabaco, drogas ilícitas, alérgenos, resíduos de mineração;
Alterações anatômicas particulares a cada pessoa.
No entanto, as principais causas de rinossinusite são os mecanismos relacionados às rinites não tratadas e as infecções virais ou bacterianas.
O ponto comum a esses fatores é que ambos levam a um edema da mucosa do nariz, assim como aumento na produção de muco tanto na cavidade nasal, quanto nos seios da face.
Assim, essa secreção "guardada" não é drenada de forma correta e termina tendo contaminação por bactérias ou fungos, que perpetuam o processo.
Outras causas e fatores relacionados com a sinusite
Existem várias causas e fatores relacionados à sinusite que podem desencadear ou agravar essa condição. E, pensando em algumas dúvidas e mitos muito comuns, confira alguns esclarecimentos.
O tabagismo é um dos principais vilões, tanto o ativo quanto o passivo, pois pode aumentar a irritação das vias respiratórias e contribuir para o desenvolvimento de rinites e sinusites.
Além disso, a hereditariedade desempenha um papel importante, visto que há uma associação significativa entre sinusite, asma e rinite em casos familiares.
Outro ponto a ser considerado é a intolerância às medicações analgésicas e anti-inflamatórias, que pode estar relacionada a problemas respiratórios como asma, rinite e sinusite.
É fundamental destacar que a sinusite não "vira" pneumonia, mas é possível que uma infecção grave afete tanto os seios paranasais quanto os pulmões de forma simultânea.
Por fim, é importante estar ciente de que alterações respiratórias também podem estar relacionadas a distúrbios do sono, como apneia do sono e ronco. É necessário ficar atento a esses aspectos para garantir um diagnóstico preciso e um tratamento adequado.
Identificando os principais sintomas da sinusite
A rinossinusite é caracterizada por sintomas como nariz congestionado, secreção nasal ou sensação desta escorrendo pela garganta, dor ou pressão facial e redução ou perda do olfato.
Dependendo do tempo de duração e evolução dos sintomas, podem ser necessários exames complementares para o diagnóstico.
Nas rinossinusites agudas o tempo de duração costuma ser de até 4 semanas e os principais sintomas são:
Secreção purulenta nasal (amarelada e espessa) em abundância,
Dor na face e nos dentes superiores,
Congestão nasal abrupta,
Redução do olfato de forma mais marcante.
Além desses sintomas muito comuns, e muitas vezes podem ocorrer sintomas sistêmicos de astenia, que é um cansaço por todo o corpo e febre alta.
Nas rinossinusites crônicas, os sintomas se desenrolam por mais de 12 semanas, em geral, durando por anos. Nesse caso, a dor e sintomas sistêmicos são menos importantes, prevalecendo a sensação de pressão na face eventual, tosse, secreção intermitente, dando a impressão de “uma gripe mal curada eterna”.
Quais são os tipos de sinusite?
Como já falamos anteriormente, são vários os tipos de sinusite, dependendo da sua causa e duração. Confira agora as variações mais comuns da sinusite e saiba identificar. Porém, ressalto que você deve procurar um otorrinolaringologista para um diagnóstico e tratamento precisos.
Sinusite aguda
A sinusite aguda costuma durar até 4 semanas e apresentam sintomas mais "visíveis" e “fortes”, sendo as queixas mais comuns a dor na face e nos dentes, secreção em abundância, tosse e congestão nasal importante e às vezes febre e sintomas sistêmicos.
As principais causas são as infecções virais e bacterianas. Apesar de ainda consideradas raras, é neste tipo de sinusite que mais podem ocorrer complicações, tais como abscessos próximos aos olhos, na região da pele próxima aos seios da face e até mesmo complicações intracranianas (cerebrais).
Nesses casos, é importante ficar atento quanto a inchaços e vermelhidão nas regiões já mencionadas, dificuldade em movimentar os olhos e alteração do estado de consciência.
Sinusite crônica
Neste tipo de sinusite os sintomas são mais lentos e intermitentes. As principais causas seriam a evolução e concomitância com rinites e asmas não tratadas, alterações anatômicas, fungos e até mesmo algumas doenças autoimunes.
Costumam apresentar mais de 4 semanas de duração, mas, em geral, a evolução é de anos. É comum o paciente “se acostumar” com os sintomas e já nem notá-los, achando ser “normal”, mas relatando “crises” recorrentes ou que "pegam muita gripe”.
Sinusite alérgica
Normalmente estão relacionadas a rinite alérgica, asma com gatilho alérgico e até mesmo alterações na pele (a pele atópica).
A este conjunto de achados damos o nome de “marcha atópica”, em que sintomas nasais, pulmonares e dermatológicos se associam, normalmente em resposta a algum alérgeno (importante avaliar os alérgenos ambientais, alimentares, etc.).
Sinusite viral
Esse tipo de condição ocorre quando a inflamação dos seios paranasais tem como principal causa o contato com vírus respiratórios. Normalmente se resolvem em um prazo de 7 dias, se não houver fatores complicadores.
Na tentativa de se defender, o corpo aumenta a produção de muco e ocorre aumento do fluxo sanguíneo para as regiões nasal e paranasais, no intuito de aumentar também o fluxo de células de defesa, acarretando os sinais de edema (congestão nasal) vistos nesses quadros.
Sinusite bacteriana
A sinusite bacteriana costuma ser uma complicação dos demais quadros relatados. Ocorre seja pelo contato com bactérias mais fortes, seja por alterações da própria pessoa que levam a um grande acúmulo de muco nos seios da face por muito tempo, possibilitando a proliferação bacteriana.
Em adultos, nem sempre é necessário o uso de antibióticos, dependerá bastante da severidade do quadro e da capacidade imunológica do paciente.
Sinusite fúngica
Na imensa maioria das vezes causam quadros de sinusite crônica, embora em situações raras possam acontecer quadros agudos, fulminantes e graves. As sinusites fúngicas crônicas ocorrem na maioria por falta de ventilação dos seios da face, favorecendo a proliferação desses microrganismos.
O que diferencia este caso é basicamente a espécie do fungo que está contaminando e a questão imune do paciente. Em geral, para diagnóstico, é necessário exame de tomografia computadorizada.
Quais tratamentos para uma crise de sinusite?
Os tratamentos da sinusite variam de acordo com sua causa. Portanto, é essencial um diagnóstico correto para ter sucesso no tratamento. É nisso que a consulta com um otorrinolaringologista é fundamental.
Boa parte das sinusites complica ou se perpetua pelo fato de não terem sido investigadas corretamente suas causas. Isso é comum, por exemplo, quando:
Só se busca tratamento nas crises, em pronto atendimentos;
Apesar de ter sido prescrito o tratamento, não há seguimento correto do mesmo, descumprindo horários e duração de tratamento;
Se ignora doenças associadas, tais como asma, rinites, alergias, alterações de imunidade, vacinas, etc.
Os tratamentos passam por medidas preventivas e curativas. Podem envolver mudanças de hábito, de ambiente, medicações de curto ou longo prazo e até mesmo, cirurgias. Em geral, os tratamentos envolvem a combinação de duas ou mais opções destas.
O otorrinolaringologista é o único profissional capaz de avaliar e tratar este tipo de doença. Se você se identifica com esses sintomas ou sua história é semelhante, não deixe de buscar um profissional de sua confiança para avaliação.
Tratamentos caseiros para sinusite
Não há tratamentos caseiros que isoladamente irão curar uma sinusite. Porém, há medidas que podem ajudar bastante no alívio dos sintomas.
A principal delas é a lavagem nasal com solução salina morna ou em temperatura ambiente. A aplicação de soluções salinas podem proporcionar:
Efeito mecânico de remover o excesso de secreção;
Deixar as secreções mais fluidas;
Ativar os mecanismos ciliares da mucosa nasal e paranasal que auxiliam ainda mais na remoção do muco;
Aliviar também, embora de forma leve, a congestão nasal causada por edema da mucosa.
Outra forma bem conhecida de alívio de sintomas, principalmente da tosse, seria o uso dos velhos e bons lambedores, ou balinhas. Normalmente compostos por vários ingredientes saudáveis, como vegetais e mel, auxiliam no alívio de irritações na garganta e promovem um aporte natural e bem-vindo de vitaminas.
Não recomendamos o uso de substâncias irritativas da mucosa nasal como cabacinha nem aplicação de extratos de ervas como mastruz, etc.
Recomendações gerais que podem auxiliar:
Beber bastante líquido;
Manter a saúde geral em dia;
Lembrar que um diabete descompensado, por exemplo, pode piorar qualquer infecção, inclusive a sinusite;
Evitar mudanças bruscas de temperatura e umidade do ambiente, portanto, atenção ao ar condicionado.
O que fazer quando a sinusite se tornar um problema?
A principal recomendação é não esperar a crise acontecer, para aqueles que têm sintomas crônicos e não deixar a complicação ocorrer, para aqueles que estão pela primeira vez, em uma fase aguda.
No caso de sintomas nasais estarem incomodando, não normalize ou negligencie a queixa e busque quanto antes tratamento com um otorrinolaringologista.
A sinusite é uma doença complexa, de delicado manejo, e a experiência do profissional é essencial, ainda mais quando há indicação cirúrgica.
Se possível, o ideal é procurar um otorrinolaringologista com subárea de atuação em rinologia e/ou cirurgia endoscópica para seios paranasais, que conseguirá possibilitar ainda mais segurança na conduta indicada.
Você convive com a sinusite? Consulte um otorrino
Se você convive com a sinusite e enfrenta sintomas recorrentes ou persistentes, é altamente recomendado consultar um otorrinolaringologista.
Esses profissionais especializados têm o conhecimento e a experiência necessários para diagnosticar corretamente a sinusite e determinar a melhor abordagem de tratamento para o seu caso específico.
Lembre-se de que a sinusite é uma condição complexa e o manejo adequado requer uma abordagem individualizada.
Não deixe de buscar ajuda médica e seguir as orientações do especialista para aliviar seus sintomas, melhorar sua qualidade de vida e garantir um cuidado adequado para a saúde do seu sistema respiratório.
Pare de sofrer com a sinusite desnecessariamente, consulte um otorrino e obtenha o cuidado profissional necessário.
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